ENTREVISTA/Enapor: Aposta em jovens quadros está a dar ao país uma nova geração de portuários – presidente CA (c/áudio)

*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 24 Out (Inforpress) – O presidente do conselho de administração da Enapor, Jorge Maurício, declarou à Inforpress, no Mindelo, que a aposta da empresa em jovens quadros está a oferecer ao país uma nova geração de portuários, “motivada e inspirada”.

Em vésperas de completar três anos à frente dos destinos da Enapor – Porto de Cabo Verde, Jorge Maurício considerou essa renovação de “essencial” para garantir “a vitalidade e a continuidade” de processos, ideias e estratégias, “sem qualquer tipo de interrupções ou quebras”.

Numa empresa dispersa, com nove portos em nove ilhas diferentes e com mais de mil colaboradores, o responsável explicou que desde o início do seu mandato “apostou forte” na comunicação e na capacitação dos recursos humanos.

“Hoje temos uma política e um plano de comunicação devidamente aprovados e estamos a implementá-los”, concretizou.

Contudo, apontou, essa dispersão, de acordo com avaliações feitas, leva a que a empresa encontre-se melhor posicionada na comunicação externa do que na interna, ou seja, precisou, este facto torna difícil uma comunicação “eficaz, assertiva e que se quer preventiva”, no ponto de vista construtivo, rumo a um ambiente sócio laboral “muito melhor”.

A aposta na formação dos recursos humanos, por outro lado, tem sido “contínua”, com uma equipa “muito mais jovem, motivada e inspirada”, mas com um “alinhamento muito claro” entre a estratégia, as pessoas e os processos.

“Isto é muito bom para atingirmos o objectivo desejável e global de termos os portos de Cabo Verde sempre a prestar o seu papel de ligar as ilhas e de ligá-las ao Mundo”, precisou Jorge Maurício.

E é com esta equipa que a actual administração tem em curso o projecto de implementação de centros de actividade logística, ou seja, concretizou o líder da Enapor, passar de um sistema de transporte e distribuição para um sistema de transporte e logística.

“Os estudos de viabilidade estão prontos e aprovados e neste momento estamos na montagem comercial, mas trata-se de um projecto que pede outros requisitos, entre eles terrenos”, assinalou a mesma fonte.

Se em São Vicente a empresa dispõe de terrenos dentro da zona de jurisdição portuária, na zona sul do Lazareto para o projecto, na ilha de Santiago estão em curso contactos com a câmara da Praia e a Imobiliária Fundiária Habitat (IFH) no sentido de procurar terrenos alternativos próximos do porto.

Isto porque se trata de um “projecto ambicioso”, que requer quantidade de terrenos consideráveis, cerca de 20 mil metros quadrados.

Jorge Maurício explicou que, com os terrenos, a Enapor estará em condições de avançar e fazer a montagem do negócio com parceiros que dispõem do saber-fazer na matéria, por se tratar de uma vertente “muito delicada e muito específica”, que necessita do saber-fazer de empresas estrangeiras.

Por outro lado, a descentralização, para que cada um dos nove portos do país tenha capacidade de resposta mais célere, continua como desafio para administração de uma empresa que vende serviços, também para o exterior.

Maurício lembra que a Enapor é “um dos maiores exportadores” de Cabo Verde, já que, para além dos serviços aeroportuários, que representam muito no arquipélago, e do turismo como serviço externo, os serviços portuários representam “uma grande fatia” da exportação em Cabo Verde.

“Prestar serviço não é igual a vender um produto”, explicou, pois quando se vende o produto não está bem pode proceder-se à troca do produto, mas já não se consegue trocar o serviço e se está mal feito, mal feito fica.

“Portanto, nós, nesse domínio, temos que ter todo o cuidado e apostar sempre para que o serviço seja feito muito bem e que não haja dificuldades, estamos à altura de dar respostas nos próximos tempos com um serviço de qualidade”, finalizou.

A Enapor foi criada a 01 de Setembro de 1982 e tem como missão garantir a prestação de serviços eficientes e de qualidade aos clientes dos portos de Cabo Verde, na base de infra-estruturas e equipamentos adequados, com segurança e em respeito ao ambiente e aos requisitos técnicos mínimos estabelecidos.

É a concessionária geral do Estado para os portos, terminais, estaleiros navais e infra-estruturas de náuticas de recreio e a Autoridade Portuária de Cabo Verde, tendo a seu cargo a gestão dos nove portos do país.

AA/CP

Inforpress/Fim

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