Dom Arlindo completa hoje dez anos do seu ministério episcopal na Diocese de Santiago

Cidade da Praia, 15 Ago (Inforpress) –  Dom Arlindo Furtado completa hoje dez anos à frente da Diocese de Santiago e reconhece que, inicialmente, houve ”relações tensas” com as congregações religiosas, mas depois “momentos de entendimento” de que a Igreja é de todos.

Em entrevista ao jornal Terra Nova, órgão cristão de formação e informação, o bispo de Santiago faz um “balanço exaustivo” desses primeiros dez anos do seu ministério episcopal  e falou desde a relação com os padres, passando pelas mudanças e iniciativas que levou a cabo.

Os primeiros dez anos do ministério episcopal  deste prelado ficou marcado pela criação de novas paróquias e prometeu outras, mas só com a disponibilidade de pessoal sacerdotal.

O desmembramento da paróquia de Nossa Senhora da Graça (Praia), que segundo o bispo estava “exageradamente grande”, foi das primeiras medidas que adoptou.

“Firmemente, tomei a iniciativa de o fazer com abertura de muita gente e hoje parece que estamos convencidos de forma unânime que isso valeu a pena porque criou novas centralidades, novos centros de dinamização pastoral”, considerou o cardeal, acrescentando que esta iniciativa “mobilizou mais gente na Igreja” o que dá mais sentidos de pertença aos fiéis.

Instado sobre a criação de novas paróquias, mas cuja dinâmica abrandou um pouco, o prelado explicou que isto se deve ao facto de a diocese não dispor ainda de um número suficiente de pastores para se criar novas paróquias e novas centralidades, embora reconheça que “há alguma necessidade”.

“Mesmo aqui na ilha de Santiago futuramente, se Deus me emprestar vida e saúde e também meios, meios humanos, sobretudo, mas também materiais, nós temos entre Tarrafal e Calheta um território que perfeitamente pode assumir-se como uma nova paróquia”, precisou o bispo de Santiago, deixando transparecer que a paróquia de Sagrado Coração de Jesus (Praia), uma das maiores da diocese, qualquer dia “poderá ser desmembrada”.

Apontou, por outro lado, a paróquia de Nossa Senhora do Socorro, também na capital, onde, de acordo com as suas palavras, a capelania de Tira Chapéu está a precisar, “não tanto pelo número de habitantes”, mas pela “complexidade de problemas e desafios da evangelização”.

“No Fogo, tenho em perspectiva Ponta Verde que poderá ser perfeitamente uma nova centralidade. Pelas consultas feitas, algumas pessoas referenciadas com o território estão completamente de acordo acerca da necessidade de uma nova centralidade pastoral na paróquia de São Lourenço que é enorme e dispersa, com muita gente”, indicou Dom Arlindo Furtado.

Em seu entender, não basta criar paróquias, é preciso criar “mínimo de condições para que, de facto, as energias sejam acordadas e postas a trabalhar em conjunto” para o “crescimento efectivo” da comunidade e da sociedade em que estão.

“ (…) Esperamos uma segunda fase em que poderemos ter a possibilidade de criar mais algumas paróquias, precisamente com o objectivo de maior e melhor evangelização envolvendo todas as energias disponíveis para que a Igreja de Jesus Cristo tenha comunidades vivas, com fiéis maduros, co-responsáveis e todos conscientes da sua pertença a Cristo e do seu papel de missão na sociedade que nos acolhe”,  defendeu  o chefe da Igreja Católica na região do Sotavento, que inclui as ilhas de Santiago, Maio, Fogo e Brava.

Perguntado sobre a sua relação com a política, respondeu nesses termos: “A minha relação pessoal com os políticos é boa, normal. Nós somos concidadãos e com alguns somos amigos próximos. Desde o tempo de padre houve momentos, nos anos 90, que nós todos, eu também, de forma discreta mas convicto, lutámos pela mudança. Achámos que era preciso fazer mudança. Muitos padres, quase todos, como o bispo, queriam a mudança. Porque era o sentir da Igreja de que era necessário superarmos a experiência e situação do partido único. Nós lutámos, não como políticos mas como cidadãos e membros da Igreja, para que houvesse mudanças”.

“É por isso que muitos facilmente, depois, aliaram os padres ou a Igreja ao MpD que, na altura, foi elemento da mudança. Mas a Igreja, já a partir de 96, começou a distanciar-se de qualquer partido político e acho de uma forma sensata”, admitiu, concluindo que ele, enquanto cidadão e homem da Igreja, se mantém equidistante dos partidos políticos.  

Entretanto, vai avisando que é amigo de muitos políticos e está “aberto a falar com todos quando for conveniente, preciso ou oportuno”.

“A Igreja, hoje, é madura o suficiente para não se envolver em questões partidárias. De igual modo, os partidos políticos devem já ter idade e juízo para serem também maduros para não precisarem da Igreja como bengala para ganhar as eleições e não contem com isso”, alertou, sugerindo que os partidos políticos “façam o seu trabalho e convençam o povo de que uns são melhores do que os outros para o bem comum”.

Indagado se está a pensar numa Universidade Católica ou num Instituto Superior de Teologia em Cabo Verde, apontou, a seu tempo, um eventual Instituto Superior de Teologia, porque o país, disse, tem tantas universidades e, por isso, a Igreja “não precisa de criar mais uma”.

No concernente a sua relação com as congregações religiosas nestes dez anos do seu ministério episcopal, não esconde que no início da sua transferência de Mindelo teve “relações tensas” com estas congregações.

“Havia uma certa desconfiança em relação ao bispo que acaba de chegar e vivíamos também uma fase de transição. A maior parte das paróquias encontrava-se nas mãos dos religiosos e havia, digamos assim, uma certa inquietação da parte dos religiosos sobre o lugar que a diocese continuaria a reservar para eles dentro da própria diocese”, observou o cardeal Arlindo Furtado, ressaltando  que depois houve “momentos de entendimento no sentido de todos perceberem que a Igreja é de todos, a Igreja é para todos, todos têm o seu lugar”.

Entretanto, sobre a sua relação com os padres da Diocese, entende que  é “bastante boa”.

“Tanto os padres procuram o bispo quando acham necessário como o bispo também os procura, fala com eles e visita-os. Encontramo-nos com bastante regularidade, num ou noutro organismo da diocese”, garantiu.

 A 15 de Agosto de 2009, Dom Arlindo entrava solenemente na Diocese de Santiago de Cabo Verde, a sua Diocese de origem e dela tomava posse como seu 34º bispo diocesano.

LC/AA

Inforpress/Fim

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