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Dia Mundial da Liberdade de Pensamento: Professor “Djick” afirma que Cabo Verde é uma sociedade em crise (c/áudio)

Cidade da Praia, 14 Jul (Inforpress)- O filósofo e professor de violão Henrique “Djick” Oliveira afirmou hoje, em entrevista à Inforpress, que Cabo Verde é uma sociedade em crise a nível da liberdade de pensamento.

Instado para fazer uma análise sobre o estado actual de Cabo Verde, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Pensamento que se comemora hoje, 14 de Julho, “Djick” Oliveira disse que existe uma lei no país que garante a liberdade de expressão do pensamento, escrito e falado nas mais diversas áreas, mas lembrou que essa lei garante apenas as condições jurídicas e políticas do exercício desse direito.

No entanto, afirmou que o problema fundamental é se existem condições sociais para a sociedade cabo-verdiana ou o cidadão usufruir e vivenciar esse direito na prática. Neste particular, defendeu que a situação é crítica do ponto de vista das condições sociais.

É que no seu entender a liberdade de expressão do pensamento crítico de forma escrita tem sido restrito a um número reduzido dos que têm acesso ou de quem escreve nos dois jornais semanários que existem no país.

No entanto, reconheceu que a situação dos jornais online “é um bocadinho melhor” neste quesito, reconhecendo que as redes sociais “melhoraram um pouco” o exercício da liberdade de pensamento.

Concretamente na população, a mesma fonte explica que os que têm mais acesso à cultura, à leitura são os extractos da pequena burguesia, apesar de frisar que “não há muito hábito” de leitura nos dias de hoje.

“A nível da nossa população, sabemos que predomina o analfabetismo, não no sentido de não saber escrever, mas no sentido de analfabetismo de leitura”, disse, lembrando que a população de Cabo Verde está mais preocupada com a labuta para a sobrevivência.

Segundo o professor “Djick”, apesar de Cabo Verde ser considerado um país de Rendimento Médio, a sua situação é de país subdesenvolvido e isto condiciona imenso o usufruto das liberdades nas diversas áreas da vida social.

Para o filósofo e professor de violão, a nível da pequena burguesia cabo-verdiana, há uma pseudoelite intelectual, que não cultiva a formação do espírito crítico e o exercício da participação activa que é o direito de cidadania.

“Fala-se muito, mas participa-se pouco”, sentenciou.

De acordo com a mesma fonte, isso se deve às raízes históricas herdadas da colonização, que criaram uma espécie de “inconsciência colectiva ou narcotização da consciência” que ainda hoje é “bem aproveitado pelo poder.”

“Despertar desta narcotização da consciência, deste sonho, é difícil e exige realmente uma formação intelectual, uma formação do cidadão, de modo que ele sinta que deve participar institucionalmente, em vez de ficar a queixar-se no grupo de amigos”, vincou.

Por outro lado, acrescentou, a rádio e a televisão, que são meios fundamentais no desenvolvimento da cultura, da informação e da formação, em Cabo Verde têm um carácter “mais lúdico para ocupação dos tempos livres”, ao invés de terem “programas vocacionados para uma intervenção político-social. “

“Quem está à frente desses meios de comunicação sabem automaticamente fazer uma auto-censura ou censurar alguém num determinado momento para que a participação não seja politicamente incorrecta,” analisou ainda o professor “Djick”, questionando a ausência de programas que analisam a crise na família, na educação e a invasão das seitas religiosas que exploram o povo financeiramente.

Por causa disso, o professor “Djick” defende que para que haja a liberdade concreta do exercício do direito à expressão do pensamento deve haver condições sociais, condições essas que a seu ver são críticas.

CD/JMV

Inforpress/Fim

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