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Debate sobre o trabalho deve ser feito associado ao tema família e descanso, Bispo de Mindelo (c/áudio)

Cidade da Praia, 07 Mai (Inforpress) – O Bispo de Mindelo, Dom Ildo Fortes, defendeu hoje, que o trabalho não deve ser debatido de forma isolada, mas que deve ser associado ao tema família e ao descanso, assim como refere a bíblia.

Segundo Dom Ildo Fortes, que falava na cerimónia de abertura do Seminário Regional sobre o tema “O Futuro do Trabalho – O Trabalho Pós Laudato Si e o Emprego Jovem”, que decorre na Biblioteca Nacional durante os dias 07, 08 e 09, o trabalho é uma bênção e um tema “pertinente” que toca a igreja “muito particular” por promover a dignidade da pessoa.

“O trabalho é uma bênção. Deus trabalhou durante seis dias, como disse o livro do Génesis e no sétimo descansou para contemplar a obra para poder fazer, no sentido lato, a festa”, indicou, e solicitando depois a compreensão dos cabo-verdianos pela leitura de se tomar o “trabalho como uma participação e missão de Deus, de realizar uma obra, ser útil e colaborar para o desenvolvimento da sociedade.

A par isso, lembrou a existência do outro lado da compreensão do trabalho, em que as pessoas fazem deste uma idolatria, na busca desenfreada do lucro e com isso a criação do sentimento de egoísmo, o esbanjamento e “passar sabi”.

Assim sendo, o Bispo de Mindelo, recorre ao livro Genesis para lembrar que o trabalho é considerado parte fundamental da dignidade da vida humana, nas primeiras páginas da Bíblia, quando Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar e cultivar.

Feito isso, salientou que o trabalho não é o fim da vida, mas que conserva a justa medida para o meio, pois, segundo disse, o fim é a comunhão e a corresponsabilidade dos homens com o seu criador.

“Deus não se requer simplesmente que trabalhem, mas que trabalhem cultivando e guardando a criação de vida. O homem não trabalha por sua própria conta, colabora com a obra de Deus”, elucidou.

O mundo do trabalho, para Dom Ildo Fortes, começa em casa e é uma responsabilidade que “todos” devem assumir, visto que tem sido corrente a espera de que tudo vem do alto, que deve ser as entidades a organizar levando a que as pessoas se demitirem dos seus deveres e sublinhar constantemente os “direitos”.

A família, reforçou no seu discurso, é a primeira escola do trabalho para todos e cada um dos homens, só assim, sustentou, o sonho de trabalho para todos e que dignifica, possa ser uma realidade.

Os jovens, concluiu, devem servir hoje com o seu contributo, convicção e jovialidade, mas devem, acima de tudo, esforçar-se para formar-se, qualificar-se e ser responsável para o desenvolvimento do país e da sub-região africana.

PC/ZS

Inforpress/Fim