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Covid-19/Sal: Impacto vai ser “muito forte” não apenas no sector do turismo – Gualberto do Rosário (c/áudio)  

Espargos, 20 Mar (Inforpress) – O presidente da Câmara do Turismo de Cabo Verde asseverou hoje que o impacto do novo coronavírus (Covid-19) vai ser “muito forte” não apenas no sector do turismo, já que transversal a toda a economia.

Segundo Gualberto do Rosário, em declarações à Inforpress, o impacto resultante do Covid-19 já começou e vai ser “muito forte”, não apenas no sector turístico, pelo facto de o turismo ser um sector transversal a toda a economia.

Isto é, envolve as empresas directamente turísticas como os hotéis, agências de viagens e transportadoras, mas também abrange coisas mais básicas como água e energia, passando pela alimentação e tudo aquilo que se produz em actividade económica, cultural e social.

A par disso, Gualberto Rosário acrescenta ainda que o turista é também um consumidor da própria saúde, porque se tiver um problema, em Cabo Verde, naturalmente, terá que ser atendido.

“Por conseguinte, aquilo que podemos prever, é um choque forte sobre a economia, no seu conjunto, não apenas na dimensão microeconómica das empresas que vão sofrer imenso com isso, algumas lutarão com a sobrevivência, inclusivamente, mas também terá impactos no orçamento do Estado”, ponderou.

Ao fazer esta leitura, Gualberto do Rosário explicou que não se pode ignorar que cerca de 25 por cento (%) das receitas do Estado vêm directamente do sector do turismo, isto sem incluir as receitas indirectas, ou seja aquilo que as empresas não directamente turísticas pagam e que não é contabilizado como tendo origem na actividade turística.

Mas, prosseguiu, além do impacto geral nas receitas públicas, há ainda duas fontes de receitas “importantes” para Cabo Verde, que têm no turismo directamente fonte de alimentação, que são, conforme aclarou, o Fundo de Sustentabilidade Turística (FST) e as receitas da taxa de segurança aeroportuária, que “vão sofrer” com a situação derivada do Covid-19.

“Vão sofrer imensamente com isso. Portanto, aquilo que nós esperamos, de facto, é um choque forte que vai afectar o domínio social, também, particularmente, o emprego”, concretizou.

“O País vai ter consequências em termos de emprego, a nossa taxa de desemprego que estava a conhecer uma dinâmica de diminuição vai subir”, prognosticou.

Sem querer comentar ou avaliar as medidas de contingência tomadas pelo Governo face à pandemia, Gualberto do Rosário disse simplesmente que não é o momento adequado, embora, relativamente a esta questão, tenha tomado posições, algumas delas públicas, designadamente através das redes sociais.

“Admito que o Governo tenha tido em consideração aquilo que vem passando noutros países. Espero que terá feito a síntese de toda esta informação e terá produzido a decisão ou as decisões que achou mais oportunas, equilibradas, e mais convenientes para proteger a comunidade cabo-verdiana”, disse.

“Mas este não é o momento para discutirmos mais isto, mas para estarmos todos unidos. Esta é uma situação de infortúnio, é um grande desafio que o país tem pela frente (…)”, alertou.

Segundo Gualberto do Rosário, trata-se do “primeiro grande desafio” depois da Independência de Cabo Verde, só comparável, disse, com momentos do passado, que nem sequer a sua geração presenciou, como foram as fomes anteriores aos anos 50 e diferentes epidemias, como a varíola, por exemplo, que levou a morte de muita gente.

Trazendo à memória esta época da história do Oaís, questionado se se poderá vir a passar por momentos de fome dada à pandemia, Gualberto do Rosário entende ser um cenário afastado.

“Não vamos passar fome, mas podemos piorar muitos indicadores que nós temos, designadamente nos domínios da saúde, porque a economia em dificuldades é a saúde das pessoas também em dificuldade (…) é preciso compreender isso”, acautelou.

“Temos que ter a consciência da realidade e agirmos para vencermos este desafio, e vamos vencê-lo, seguramente”, concluiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia do Covid-19, começou em Dezembro na China e infectou mais de 210 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.750 morreram.

Das pessoas infectadas em todo o mundo, mais de 84 mil recuperaram da doença.

O surto espalhou-se já por 173 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

De acordo com os últimos dados, os países mais afectados depois da China são a Itália, com 2.978 mortes em 35.713 casos, o Irão, com 1.135 mortes (17.361 casos), a Espanha, com 638 mortes (14.769 casos) e a França com 264 mortes (9.134 casos).

Cabo Verde registou apenas um caso de infecção pelo novo coronavírus.

Trata-se de um cidadão de nacionalidade inglesa de 62 anos, que chegou à ilha da Boa Vista no dia 09 de Março e que, no dia 16, começou a apresentar um quadro respiratório com tosse e febre.

SC/AA

Inforpress/Fim

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