Covid-19: Proprietária de barco apreendido perto de Boa Vista critica actuação das autoridades

Cidade da Praia, 25 Mar (Inforpress) – A proprietária de um barco, cujos tripulantes foram detidos por, supostamente, terem desrespeitado as medidas de contingência impostas à ilha da Boa, Vista após confirmação do primeiro caso de covid-19, mostra-se crítica perante a actuação das autoridades.

Isa Varela, proprietária do barco de pescas “Senhor do Mundo”, contou à Inforpress que os seus tripulantes partiram para a Boa Vista da cidade da Praia, no domingo, 22, à tarde para fazerem pesca de atum.

“Na terça-feira, ligaram-nos a dizer que foram interceptados pela Guarda Costeira. Pelo que nos contaram, eles não chegaram ao porto da Boa Vista, estavam a 30 milhas da ilha. Foram levados para a ilha do Maio, de onde foram trazidos pela Guarda Costeira para a cidade da Praia”, acrescenta.

Segundo diz, o motivo da detenção foi porque os tripulantes do “Senhor do Mundo” foram vistos a falar com elementos de um outro barco que, supostamente, saia da Boa Vista.

“Os tripulantes do outro barco pediram-lhes cigarro. Então puseram num balde e os enviaram. Foi então que foram vistos pela Guarda Costeira, que nem lhes deu tempo para dialogar. Não tiveram nem tempo de recuperar o balde. E eles não se aproximaram das pessoas que estavam na outra embarcação”, conta.

Mas a maior insatisfação de Isa Varela é porque, conforme diz, ninguém das autoridades os procurou, a ela e o marido (donos do barco) para os informar de nada.

“A Delegacia de Saúde já esteve no Porto da Praia, onde desinfectou apenas o outro barco, uma vez que não nos chamou e o nosso barco estava fechado. O barco está cheio de gelo, com comida e outros bens que queremos saber se são recuperáveis ou não”, frisa.

Para além disso, alega, os marinheiros chegaram à Praia dentro das 4:00 da manhã de terça-feira, 24, mas acrescenta que a Delegacia de Saúde chegou neles depois das 5:00 da tarde.

“Se eles estão infectados então as pessoas que circularam no Porto da Praia estão em risco. Acho que as autoridades deveriam fazer com que a polícia e a Delegacia de saúde estivessem no porto logo à chegada destes para fazer o que deveria ser feito”, defende.
Esta armadora acredita que ela também deveria receber algum contacto e informação das autoridades.

“O meu barco tem uma fuga de água. Se acontecer alguma coisa quem vai arcar com as consequências? Ou que suspendam as licenças de pesca ou saber o que têm de fazer, porque desta forma quem ficará prejudicado não é o governo, somos nós, os proprietários de barco”, acrescenta.

Os tripulantes do “Senhor do Mundo” e de mais outro barco estavam para ser hoje apresentados ao Tribunal da Comarca da Praia, mas até agora desconhece-se a decisão do juiz.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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