Covid- 19: Economista Gil Évora regozija-se com medidas económicas tomadas pelo Governo

Cidade da Praia, 26 Mar (Inforpress)- O economista Gil Évora congratulou-se hoje com as medidas para proteger o emprego e as empresas e manter a economia a funcionar, mas pede ainda ao Governo que olhe para a economia social e para a área informal.

O Governo anunciou na terça-feira, 24, a criação de linhas de crédito com garantias do Estado, no montante global de quatro milhões de contos, destinada a reforçar a liquidez das empresas, durante a crise da pandemia do novo coronavírus, a Covid-19.

Foi ainda definida uma outra linha, igualmente de um milhão contos ,para pequenas e médias empresas em todos os sectores da actividade, com garantia até 100%, entre outras medidas.

Em declarações hoje à Inforpress, o economista disse que o Governo tem estado “bem” na adopção de medidas reactivas e preventivas no domínio da saúde e na economia empresarial.

Conforme disse, o país vinha conhecendo uma “boa dinâmica” de crescimento económico e no último trimestre de 2019 Cabo Verde atingiu uma taxa de crescimento de 6%.

“Agora o cenário macroeconómico vai ser de uma forte recessão económica neste ano e a retoma só deverá acontecer em 2021. Daí que essas medidas deverão atenuar esta quebra de actividade que já está a acontecer em áreas como a hotelaria, restauração, transportes aéreos, marítimos e rodoviários”, considerou.

A prioridade das prioridades em todas as medidas tomadas pelo Governo, segundo a mesma fonte, vai no sentido da manutenção e preservação dos empregos, e, consequentemente, do rendimento das famílias.

Para o mesmo, a criação desse modelo simplificado para a suspensão temporária do contrato de trabalho aplicável aos contratos a prazo foi “muito importante”, uma vez que com a diminuição das actividades das empresas, nos próximos meses, fará com que elas tendam a mandar os trabalhadores para casa.

“Criou-se aqui um mecanismo de protecção que permite ao trabalhador manter o contrato, suspender o pagamento da contribuição para a segurança social e receber uma boa parte do seu salário bruto. Mesmo nos casos extremos, em que a única solução seja o despedimento, flexibilizou-se muito o acesso ao subsídio de emprego”, realçou algumas das medidas.

Gil Évora considerou ainda que a criação de linhas de crédito, no montante global de quatro milhões de contos, destinadas a reforçar a liquidez das empresas, durante a crise, têm a “grande vantagem” de possuírem garantias do próprio Estado, garantias essas que, avançou, podem ir até 80 por cento (%).

“O grande problema das pequenas e médias empresas são precisamente as garantias, pelo que o acesso ficará facilitado. Depois temos outras medidas de impacto como o pagamento imediato das facturas aos fornecedores, a flexibilização do pagamento de impostos e taxas, etc.”, apontou.

Para este economista, falta agora ao Governo olhar para a economia social e para a área da economia informal, visto que essas pessoas são as “mais vulneráveis”.

“Claro que muitas vezes a informalidade dificulta a tomada de medidas de grande alcance, mas acredito que há um campo grande de desenvolvimento e de apoio às famílias mais carenciadas, reforçando a protecção social, acelerando a atribuição do rendimento social de inclusão e imprimindo maior dinâmica ao programa de inclusão produtiva”, frisou.

Gil Évora acredita que o país está no “caminho certo” e que o “sucesso” das medidas do Governo será o sucesso de todos e o fim desta crise sanitária e económica.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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