Covid-19: Comunidade islâmica assinala fim do Ramadão com “dádiva ao próximo”

Cidade da Praia 21 Mai (Inforpress) – A comunidade muçulmana em Cabo Verde celebra na segunda-feira o fim do Ramadão com uma acção de solidariedade social virada para a doação a um vizinho, como forma de suprir as necessidades motivadas pela pandemia da covid-19.

Esta informação foi dada à Inforpress pelo líder espiritual islamita no País, Imã Neka Thiam, tendo avançado que esta orientação já foi transmitida a todos os muçulmanos para que esta dádiva, que consiste na doação de dois quilos de arroz, beneficie a todos os que dela precisam, independentemente da sua crença espiritual.

Neka Thiam assegurou que a comunidade muçulmana continua confinada nos seus domicílios consoante as orientações do Governo e das autoridades sanitárias, e decidiu celebrar o fim do “mês sagrado de Ramadão” com este gesto simbólico já que este ano todas as festas e cerimónias foram canceladas.

O Imã disse que este ano todas as 15 mesquitas espalhadas por Cabo Verde estão fechadas por forma a evitar aglomeração dos fiéis aos cultos sagrados e que apenas às sextas-feiras são permitidas reuniões limitadas a grupos separados de 15 pessoas para 15 minutos de rezas de forma a permitir o distanciamento exigido.

Neka Thiam realçou que durante todo este período de quarentena a entrada nas mesquitas para cultos sagrados das sextas-feiras está condicionada ao uso “obrigatório de máscaras a todos os muçulmanos”, mas que em outros dias a fé continua a ser professada nos domicílios, em família, como manda o Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos) com reza e jejum das 05:00 às 19:00, durante 30 dias.

Reafirmou que as instruções como o distanciamento, o isolamento e o confinamento em casa, como medidas de prevenção ao novo coronavírus, causadora da covid-19, estão a ser cumpridas na íntegra com os crentes a professarem a sua fé em orações “confinados em casa”.

Calcula-se que existem cerca de três mil maometanos em Cabo Verde, com o líder espiritual desta crença no País a considerar que a comunidade está a passar por uma situação “nunca dantes vista” em toda a sua história no mundo.

É que a pandemia do vírus da covid-19  tem impedido práticas espirituais que são destinadas a aproximar os fiéis do profeta Maomé, o fundador da religião islâmica.

Pela primeira vez na história, os islamitas foram impedidos de professarem as suas preces nas mesquitas, uma das maiores tradições dos 30 dias dedicados ao jejum, razão pela qual este líder espiritual exortou a todos os fiéis a pedirem a Deus em casa para eliminar esta doença no mundo.

O Ramadão é comemorado durante as quatro semanas em que os versos sagrados do Alcorão teriam sido revelados ao profeta, na Arábia Saudita.

A data do início e do fim do evento religioso, explicou, é determinada pelo calendário lunar e a chegada da lua crescente, razão pela qual está sujeita a pequenas variações nas diversas regiões do mundo.

SR/CP

Inforpress/Fim

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