Covid-19/Brava: População de Lomba Tantum pede mais informações das autoridades competentes (c/áudio)

Nova Sintra, 25 Mar (Inforpress) – Os moradores de Lomba Tantum solicitaram hoje às autoridades competentes mais informações sobre o novo coronavírus (Covid-19), tendo em conta que na zona não há sinal nem da televisão e nem da rádio pública de Cabo Verde.

Numa ronda que a Inforpress fez a este povoado, da freguesia de Nossa Senhora do Monte, estes demonstraram-se um pouco apreensivos sobre a situação da pandemia e deixaram claro que a informação que têm tido muitas vezes é obtida no Facebook.

Até porque, constatou-se que na zona, onde maioria da população e das crianças ficam na rua maior parte do tempo, hoje as ruas estavam praticamente desertas.

Em declarações à Inforpress, a presidente da associação local, Jaqueline de Barros, avançou que estão um pouco “frustrados” com esta situação, uma vez que na zona não possuem acesso à televisão nem a rádio pública.

“Ficamos a mercê dos comentários dos outros, cada um diz da sua forma, cada um informa da sua maneira e os moradores ficam um pouco apreensivos com as informações veiculadas”, disse a moradora, acrescentando que com a internet tem tido acesso a alguma informação, mas reconhecendo que “muitas vezes não são oficiais ou verídicas”, porque informam através do facebook.

Sobre a actuação das autoridades na ilha, adiantou que um carro da Protecção Civil foi passar algumas mensagens sobre o Covid-19, mas foi de uma forma muito rápida que nem todos assimilaram a mensagem.

De acordo com a responsável comunitária, também um grupo de policiais tem sensibilizado os proprietários de bares e estabelecimentos económicos sobre as medidas.

Questionada sobre qual a melhor solução para colmatar esta falta de informação, esta avançou que deveria ter uma equipa ou um grupo para andar casa a casa e sensibilizar as pessoas sobre a situação, porque além da desinformação, “muitos não sabem ler”.

Por enquanto, realçou que estão a tentar seguir as instruções que as outras pessoas vão passando, como uma forma de protecção, ficando em casa, ter menos contacto possível com outras pessoas, evitar abraços, beijos, apertos de mão, entre outros.

Além disso, outros moradores salientaram que na questão do contacto é um pouco complicado, porque há famílias numerosas que vivem em dois quartos e não há como evitar.

Os mesmos questionaram a vinda do barco de passageiros, alegando que deveria ser restringida por agora, tendo em conta que a ilha não possui condições para fazer face à doença.

Contactado, o presidente da Câmara Municipal, Francisco Tavares, avançou que a autarquia já tem um plano, em que o carro da Protecção Civil está a circular com informações, mas neste caso reconheceu que as localidades de Lomba e de Pau, onde não há sinais de rádio e de televisão pública, há necessidade de concertar com a Delegacia de Saúde e passar algumas sessões de informações e esclarecimentos sobre a situação.

Sobre a aglomeração das pessoas num mesmo espaço, o edil explicou que de momento não conseguem fazer nada, mas havendo qualquer caso suspeita a câmara municipal tem à disposição duas habitações em Nova Sintra, que podem servir para quarentenas nos casos em que dentro da própria habitação não haja condições para tal.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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