Cardeal defende “muito diálogo” entre instituições em prol de mais inclusão e menos disparidades sociais

Cidade da Praia, 09 Jan (Inforpress) – O cardeal Dom Arlindo Furtado defendeu hoje a necessidade de haver “muito diálogo” entre as instituições e instâncias que promovem o trabalho a fim de haver “salário digno” em prol de mais inclusão e menos disparidades sociais.

O bispo da Diocese de Santiago falava aos jornalistas, na cidade da Praia, à margem de um encontro com o Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Financeiras (STIF), no quadro da “mega manifestação” dos trabalhadores agendada para segunda-feira, 13.

“Cabe a essas organizações sentarem-se à mesa e discutir as possibilidades reais para se encontrar as melhores soluções”, declarou, acrescentando que a igreja tem uma doutrina social que defende que o salário não pode limitar-se apenas ao trabalhador, mas que tenha em conta a própria situação da família.

A referida doutrina propõe que o salário seja “justo” para satisfazer as “reais necessidades” das famílias para que ninguém fique na situação da exclusão social.

“A um trabalhador que não tem grandes qualificações, mas tem uma família que depende dele, o ordenado que se deve atribuir deve ser maior do que o trabalho real, precisamente por causa do equilíbrio social”, sugeriu.

Ao seu ver, pode-se compensar isso com outros elementos de outras partes da sociedade porque, no seu entender, o salário não é só para pessoa, mas sim para promover o equilíbrio social.

“Os trabalhadores fazem esta manifestação, e com razões, porque têm o direito de fazer, se bem que tenho insistido e insisto que manifestações são apenas para chamar a atenção, mas o importante é sentarem-se à mesa todas as pessoas que têm essa obrigação, esse direito e dever para juntos encontrarem melhores soluções”, transmitiu.

Por sua vez, o presidente do STIF, Aníbal Borges, garantiu que a manifestação do dia 13 vai acontecer a nível nacional, de Santo Antão a Brava.

“De facto, saímos deste encontro com o cardeal bastante reconfortados porque ele mostrou-se bastante sensível aos problemas que trouxemos porque, no fundo, o que estamos a fazer é a defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores, que, como sabem, cada um tem a sua família” afiançou.

Ao seu ver, todos têm o mesmo objectivo, que é contribuir para a melhoria de condição de vida das famílias.

Instado a comentar as declarações da secretária-geral da UNTC-CS, Joaquina Almeida, que disse que se tivesse sido contactada participaria na manifestação do dia 13, Aníbal Borges respondeu nesses termos: “Achas que dentro de uma família os pais devem ser convidados pelos filhos e os filhos pelos pais”?

Conforme observou, isso não faz sentido porque, no seu entender, “uma família deve estar unida”, o que significa que algo não vai bem.

WM/CP

Inforpress/Fim

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