Câmara Municipal do Porto Novo rende homenagem à Dona Pinga

Porto Novo, 12 Mai (Inforpress) – A câmara do Porto Novo recebeu com “profunda consternação” a notícia da morte de Dona Pinga, uma das testemunhas do encalhe, em 1947, do navio John E. Schmeltzer S.S, em Ponta de Canha, no município do Porto Novo.

Zeferina Fortes, conhecida também por Dona Pinga, uma figura também ligada ao Carnaval em São Vicente, morreu aos de 89 anos, “um momento de dor e consternação” para câmara do Porto Novo, que aproveitou para render homenagem à essa “figura carismática” e  “uma grande testemunha da época das fomes dos anos 1940 e do pós-guerra” em Santo Antão.

“Cabo Verde perdeu uma grande testemunha da época das fomes dos anos 1940 e do pós-guerra no País. Apegada à cultura do Planalto Norte (Porto Novo), uma figura carismática, de espírito alegre, também foi fundadora do Samba Tropical (São Vicente), vivia o Carnaval e estava sempre aberta a qualquer actividade cultural”, refere a nota da autarquia.

Os responsáveis municipais lembram que “dona Pinga” participou, em Novembro de 2017,  no encontro de sinalização e reflexão sobre a importância histórica dos 70 anos do encalhe, em 1947, do navio John E. Schmeltzer S.S, em Ponta Canja, no litoral sudoeste do concelho do Porto Novo.

John Schmeltzer, procedente de Rosário na Argentina, com destino à Suécia, trazia a bordo 7.179 toneladas de carga bruta (milho vermelho a granel e outros)   e acabou por encalhar, na madrugada de 25 de Novembro de 1947 em Ponta Canjana, naufrágio considerado  “uma salvação do povo”, numa altura em que a fome dizimava os santantonenses.

‘John’, como ficou conhecido este navio da marinha mercante dos Estados Unidos da América (EUA), acabou por salvar “parte significativa” da população de Santo Antão de morrer à míngua, na sequência da fome de 1947.

JM/AA

Inforpress/Fim

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