Brava: Presidente da República promete “fazer prossecução e reforço” de políticas de discriminação positiva para a ilha

Nova Sintra, 30 Nov (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, disse sexta-feira, no final da sua visita a Brava,  que vai fazer “prossecução e reforço” das políticas de discriminação positiva para a ilha, para que seja “mais relevante” no contexto do país.

O Chefe de Estado fez estas considerações à imprensa, no final da visita realizada à ilha Brava, de 26 a 29 de Novembro, considerando a sua estada na “Ilha das Flores” de “muito instrutiva e enriquecedora”, do ponto de vista do conhecimento da situação actual económica e social da ilha.

Segundo Jorge Carlos Fonseca, foram três dias de contactos, destacando, desde logo, a “reunião detalhada” que manteve no início da visita com a câmara municipal, que lhe permitiu ter uma visão sobre o estado do desenvolvimento da ilha, os projectos em curso, as obras já realizadas, os constrangimentos, as dificuldades e os desafios da ilha.

Também, visitou instituições como a Delegacia de Saúde, uma visita que lhe permitiu aperceber que há insuficiências neste sector que é, segundo o PR, “vital” para aquilo que se pensa ser o processo de desenvolvimento da ilha.

“É uma ilha onde se está a pensar no turismo rural, saúde comunitária, mas para haver esse tipo de turismo, é necessário que haja confiança dos turistas que ao chegarem à ilha vão ter as condições mínimas de saúde para qualquer eventualidade”, avançou.

Ao elencar um conjunto de insuficiências, o Chefe de Estado iniciou-se pelo número de enfermeiros, mas, sobretudo, a nível de equipamentos, laboratórios sem análises básicas, alguns aparelhos que foram adquiridos mas que estão avariados, falta de reagentes e falta de equipamentos que são os “mínimos dos mínimos”.

Não obstante estes factos, comentou também que as pessoas levantaram muitos problemas a nível dos cuidados de saúde, exemplificando com situações que levam os pacientes a serem transferidos para o Fogo ou para a cidade da Praia

Expostas estas insuficiências, acentuou que é um sector vital e que necessita de um olhar “mais atento” das entidades governamentais.

Além destas visitas institucionais, referiu que esteve em várias localidades, contactando “muita gente” da ilha, para “sentir o pulsar”, numa conversa informal, directa e personalizada.

“Este diálogo com as pessoas, com o seu sentir, as suas preocupações me ajudam a aprimorar aquilo que é a percepção que tem do diálogo do Governo, com as autoridades locais”, pronunciou o chefe de Estado, considerando a visita como sendo uma espécie de filtro.

“As populações têm problemas com um ano agrícola que parecia ser razoável, mas acabou por ser mau, o que gera grandes pressões a nível do emprego público, do acesso a água, seja para o consumo das pessoas, animais ou agricultura”, destacou a mesma fonte, acrescentando que a situação não é “propriamente famosa”.

Adiantou que a Brava é uma ilha que durante os 44 anos de independência “não teve o mesmo nível de desenvolvimento” que outras partes do território nacional, mesmo reconhecendo que, “ evidentemente, o desenvolvimento não tem de ser igual”.

Prosseguiu ainda, dizendo que a Brava “ficou um pouco atrás”, reconhecendo, no entanto, que há sinais de crescimento, e que está prevista a construção de uma estrada de Nova Sintra a Nossa Senhora do Monte.

Citou como sinais positivos, a construção da via Furna – Nova Sintra, construção da estação dessalinzadora de Furna, mudança do rosto de Lomba Tantum em vários aspectos, mas defendeu que “é preciso ambicionar mais para a ilha”.

Isto, explicou, pelo passado que teve, é como se precisasse de um “reforço de restauração” para ser uma ilha mais relevante no contexto do país.

O Presidente da República disse que vai da ilha “optimista”, mas como Chefe de Estado vai fazer a prossecução e reforço de políticas de discriminação positiva para a ilha, possivelmente, até uma “discriminação ultra positiva”, tendo em conta que a ilha perdeu por muito tempo oportunidades e está a perder a população.

Ressaltou que a cultura existente, de que as pessoas desde muito novas querem emigrar, é preciso “estancar”, não querendo “dizer que não, que não vão”.

Mas se viajarem, prosseguiu, que seja por desejo ou por um tempo menos prolongado, defendendo a necessidade de criar condições para que as pessoas fiquem na ilha e que tenham condições necessárias.

MC/JMV

Inforpress/fim

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