Brava: Bravenses celebraram “Todos os Santos” com a tradicional merenda

Nova Sintra, 01 Nov (Inforpress) – A população bravense celebrou hoje o dia de “Todos os Santos” com a sua “tradicional merenda”, como forma de “agradecer” a Deus e “pedir vida, saúde e bom ano agrícola” para o próximo ano.

Aqueles que são cristãos foram à missa e ao sair ficaram num convívio no largo da igreja da paróquia de São João Baptista, desfrutando o dia e um almoço de confraternização, com alimentos vindos da terra, como milho, abóbora, feijão, batata, mesmo que o ano agrícola não seja como esperavam.

Na ilha, contou uma sexagenária que esta é uma tradição que já vem de muitos e muitos anos e o significado, explicou, é simples.

“Agradecer a Deus, reunirmos com o pouco que temos, dividir e compartilhar, pedir vida e saúde para que no próximo ano, o ano agrícola seja melhor do que o que temos este ano”, contou a Melinita Lopes.

Segundo a mesma, em toda a ilha, seja em grupo de amigos, de igreja, ou mesmo no seio das famílias, a merenda não pode faltar, mas acrescentou que esta tradição tem vindo a cair em desuso no seio dos jovens que já não estão ligando par estes factos.

A tradição, de acordo com a sexagenária, é uma panela de milho, carne de porco, couve cozida,” xerém na capa”, abóbora, batata-doce e batata comum, mandioca,” arroz com fava ou bongolon verde”, uma panela de guisado, salada de pepino para acompanhar a comida tradicional.

Após o almoço, quando já estiverem bem “fartos”, apanham o tambor ou uma lata e vão num cutelo “tombar Félix” que quer dizer agradecer e pedir a Deus vida e saúde para o próximo ano.

A merenda do dia de “Todos os Santos” começou a ser feita há já alguns dias antes nos jardins-de-infância e escolas básicas da ilha, embora, com a ausência de milho, tenha optado por fazer cachupa ou outra coisa para não deixar que o dia passasse em branco.

A coordenadora da escola Manuel Rodrigues Gomes, Josefina Vaz, conhecida por Fina, explicou à Inforpress que esta tradição é algo que encontraram dos antepassados e todos os anos proporcionam às crianças um dia diferente, de forma a “manter viva a tradição e a cultura bravense cada dia mais rica”.

Segundo Fina, a “merenda” sempre é feita com os produtos da “azágua”, mas, como de alguns tempos para cá o tempo tem “mudado”, independentemente se tiver chovido, os jardins e as escolas dão sempre um jeito de comemorar o dia.

De acordo com a mesma, nas vésperas, altura dos preparativos, aproveitam para explicar às crianças todo o percurso e o objectivo deste dia.

MC/JMV

Inforpress/fim

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