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Boa Vista: João Lopes da Silva prepara livro sobre a origem e criação equina em Cabo Verde (rectificada)

­Sal Rei, 13 Set (Inforpress) – O veterinário João Lopes da Silva prepara um livro sobre a história e origem da criação equina em Cabo Verde, com os registos desde a época colonial (1955) até os dias de hoje.

Segundo contou à Inforpress, o livro, que espera lançar no próximo ano, é o resultado de um levantamento que tem vindo a fazer dos registos de cavalos importados para Cabo Verde, com base na bibliografia e documentos encontrados e em depoimentos de criadores.

“A ideia de fazer uma pesquisa surgiu quando em estágio em Portugal, na Coudelaria Nacional, durante uma pesquisa num Livro genealógico de equinos, num capitulo sobre exportação em que descobri que foi enviado a Cabo Verde, em 1955, três cavalos árabes (Realeza, Ria e Realce)”, explicou o veterinário, que para confirmar estes dados fez contatos para Cabo Verde e foram encontrados documentos destes cavalos no Posto de Fomento Pecuário em São João Órgãos, na ilha de Santiago.

Conforme apurou, quando os animais chegaram a Cabo Verde, foi instituído o critério do registo dos animais pela letra do ano de nascimento, por esse motivo os nomes dos animais foram trocados, o Realce passou a chamar-se “Alce”, a Realeza “Aifa” e a Ria “Azalá”, por forma a começar-se a fazer os registos a partir da letra A, que correspondia ao ano de 1955.

Ainda na sua investigação, “foram encontrados registos da cobrição destes cavalos.  Isto fez com que o sangue árabe se difundisse em Cabo Verde, chegando a conclusão na sua investigação que a maioria dos cavalos em Cabo Verde tem origem árabe”.

E, segundo explicou, tendo em conta a forte tradição das corridas de cavalos, os criadores faziam o cruzamento das éguas com os melhores cavalos do posto de São Jorge dos Órgãos. ” E isto fez com que se mantivesse alguma consanguinidade nos animais e por consequência a manutenção das linhas genéticas destes animais que são de elevada qualidade.”

Desde 2007, o veterinário, que é também um dos fundadores do Clube Hípico do Mindelo, começou esta aventura de pesquisa da origem equina cabo-verdiana, para também poder implementar um sistema de registo de equinos.

Segundo adiantou João Lopes da Silva, procurou sempre a credibilidade dos dados “que são escassos e averiguar a veracidade dos depoimentos prestados”.

E fez deslocações principalmente as ilhas de Santo Antão, São Nicolau, Fogo, Santiago, onde a criação de cavalos é mais expressiva, para recolher registos e depoimentos de pessoas com estes conhecimentos. Mas para ele, “os registos e respeitar os seus critérios sempre foram uma preocupação”. Por isso, “procura sensibilizar os criadores para registar os seus cavalos”.

“Tem que se assumir a responsabilidade dos registos equinos, não só para identificação, como para profilaxia sanitária, para se ter em conta e saber, por exemplo o estado de saúde dos animais”, considera o veterinário, para quem “este trabalho não é difícil tendo em conta que o número de equinos em Cabo Verde não é grande”.

Entretanto, avançou que já fez contactos com a Direcção-Geral de Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP) no sentido de criar uma lei para o registo e identificação de equinos.

 

“Sei que já existe o SIRA (Sistema de Identificação de Registo dos Animais), para caprinos e bovinos, deveria haver uma lei também para os para os Equídeos (cavalos, burros e mulas)”, opinou.

Ainda sobre a importância dos registos, referiu que com isto, “Cabo Verde não pode limitar-se somente as corridas de cavalos nas festas tradicionais”, sendo que a corrida de cavalos “não é considerada internacionalmente pela Federação Equestre Internacional (FEI), como um desporto equestre”.

“Acho que Cabo Verde deve almejar mais. Deve-se criar a federação equestre cabo-verdiana, para poder ter regulamentos e começar a introduzir novas modalidades desportivas hípicas, inclusive a endurance, que para mim é a única disciplina que podemos ter oportunidade de ter cavalos para praticar e depois ir para competições internacionais”, defendeu João Lopes da Silva.

De acordo com a investigação no ano de 1956 foram importados mais uma égua a Suave (Bala) e dois cavalos o Riacho (Boémio) e o Suão (Brioso) que vieram a substituir o Realto (Alce) e a Realeza (Aifa), que entretanto tinham falecido. em 1971 é importado o Crióforo também proveniente da Coudelaria Nacional, durante esse período também forma importados cavalos lusitanos.

Depois de 1975, o Estado de Cabo Verde, através do Ministério da Agricultura, ficou com a posse dos animais dando continuidade ao programa reprodutivo. Depois desta data já não houve mais entradas de cavalos árabes.

“A partir de 1990, acaba-se com o programa reprodutivo de equinos e o Posto de Fomento Pecuário de São Jorge dos Órgãos deixa de ter cavalos reprodutores”.

A partir de 1990, fez-se a introdução do sangue Inglês e nos anos 2006 e 2009 houve a introdução da raça de cavalos Quarto de Milha pelo criador Marck Boikens que reside na ilha de São Vicente.

VD/CP

Inforpress/fim

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