Boa Vista: Ex-combatente destaca heroísmo de Amílcar Cabral e Aristides Pereira e defende despartidarização do 13 e 20 de Janeiro

Sal Rei, 22 Jan (Inforpress) – O ex-combatente nacional para a independência de Cabo Verde João Pereira Silva considera Amílcar Cabral e Aristides Pereira como sendo dos “grandes homens” e heróis nacionais, e defendeu que é altura de despartidarizar 13 e 20 de Janeiro.

O ex-combatente fez estas considerações em entrevista à Inforpress a propósito do 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais para homenagear todos que lutaram no movimento de independência de Cabo Verde, data que há 47 anos recorda o dia da morte de Amílcar Cabral.

João Pereira Silva considera os “grandes homens” e heróis nacionais destacando Amílcar Cabral, um dos mais carismáticos líderes africanos das lutas pela emancipação dos seus povos, e o primeiro Presidente da República de Cabo Verde, Aristides Pereira.

E assim sendo, assegurou ser de “extrema importância” comemorar vida e obras destes e outras pessoas que fizeram grandes acções e deixaram um legado “importantíssimo e decisivo”, para a comunidade cabo-verdiana e a nível nacional.

No caso de Amílcar Cabral, defende que “não só fundou o PAIGC para lutar para independência de Guiné e Cabo Verde”, como “teve sucesso como dirigente e morreu em actividades por esta causa”, além de deixar um “legado de extrema importância”.

“Amílcar Cabral é de facto e sem qualquer dúvida, um grande homem, político e estadista, um grande herói da Guiné-Bissau e Cabo Verde, um dos grandes heróis de África, e do mundo”, disse, recorrendo que Amílcar Cabral antes de qualquer outro político africano teve a visão de ligar a luta de libertação de um povo, a afirmação de uma história, a uma cultura própria.

João Pereira Silva, que é sobrinho do primeiro Presidente da República de Cabo Verde, Aristides Pereira (1975-1991), destaca-o também como sendo outro “grande herói de referência”.

Pois, concretizou que “apesar de não morrer na luta”, ele “conseguiu levar a bom porto a independência de Cabo Verde”, criar um estado soberano e transformar uma colónia “paupérrima e sem nada num estado viável”.

“Pode-se dizer que ele deixou as gerações vindouras este Estado em mãos para cada um fazer o que quisesse”, alegou.

O ex-combatente de luta de libertação nacional defendeu ainda a despartidarização, do 13 e do 20 de Janeiro.

“Acho que já é altura destas datas serem despartidarizadas”, disse, reconhecendo ser difícil para as pessoas do PAICV aceitar a despartidarização do 13 de Janeiro, sendo o dia da vitória do MpD e derrota esmagadora do PAICV.

E faz a correlação de que a data “já foi instituída, o PAICV já voltou ao poder e durante 15 anos não mexeu na data”. Por isso, enfatizou que “agora é história”.

Ao mesmo que, sob 20 de Janeiro, alegou que sendo que “foi instituído no tempo de Governação do partido PAICV, e o MpD não mexeu neste feriado”, questiona porque “não fazem uma comemoração a nível nacional, em que todas as câmaras municipais do país hasteassem as bandeiras no Dia dos Heróis Nacionais”.

O mesmo recorda que em 2010 foi convidado pela Câmara Municipal do Sal para proferir uma palestra, e no final propôs o então presidente a lhe convidar para comemorações do 13 de Janeiro, e a 20 de Janeiro invitar uma entidade do MpD.

“Acho que ele não seguiu a minha recomendação. Eu pelo menos não fui convidado”, disse entre risos, considerando serem a Câmara Municipal da ilha do Sal e a de São Vicente as duas autarquias do país que “comemoram o dia dos Heróis Nacionais, sem nenhum problema partidário”.

No final da entrevista, João Pereira Silva idealizou almejando que “seria bonito e melhor para a afirmação da nação cabo-verdiana, colocar todas as crianças a hastear a bandeira e cantar o hino nacional, nos dias 13 e 20 de Janeiro”

VD/ZS

Inforpress/Fim

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