Autoridades chinesas recomendam que se evite multidões face a propagação de novo vírus

Pequim, 22 Jan (Inforpress) – As autoridades chinesas apelaram hoje à população para que evite multidões e encontros em espaços públicos, alertando que uma nova doença viral que infectou centenas e matou nove pessoas se pode alastrar ainda mais.

O número de casos aumentou rapidamente desde que a nova pneumonia foi detectada no mês passado em Wuhan, no centro da China. No total, há 440 casos confirmados, em 13 jurisdições do país, anunciou o vice-director da Comissão Nacional de Saúde, Li Bin.

Nove pessoas morreram, todas na província de Hubei, cuja capital é Wuhan.

“Já há casos de transmissão e infecção entre seres humanos e funcionários de saúde infectados”, disse Li, em conferência de imprensa. “As evidências demonstram que a doença foi transmitida por via respiratória e existe a possibilidade de uma mutação do vírus”, detalhou.

Os casos alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

Fora da China, foram ainda confirmados casos do novo coronavírus entre viajantes chineses na Coreia do Sul, Japão, Tailândia e Taiwan, todos também oriundos de Wuhan.

Agências que organizam viagens à Coreia do Norte avançaram que o país proibiu a entrada de turistas estrangeiros por causa do surto. A maioria dos turistas na Coreia do Norte é oriunda da China. Em 2003, durante o surto de pneumonia atípica, a Coreia do Norte também fechou as suas fronteiras.

Vários países com ligações aéreas directas ou indirectas a Wuhan estão a efectuar verificações sistemáticas de passageiros de voos oriundos de áreas consideradas de risco.

Em Macau, as autoridades anunciaram que vão verificar individualmente os passageiros provenientes de Wuhan, “por via aérea, marítima ou terrestre”.

As autoridades disseram que ainda é cedo para comparar o novo vírus com o SARS ou o MERS, ou síndrome respiratória do Médio Oriente, em termos da sua capacidade letal.

“Ainda estamos no processo de aprender mais sobre esta doença”, disse Gao Fu, um académico da Academia Chinesa de Ciências e chefe do Centro Chinês de Controlo de Doenças, na mesma conferência de imprensa.

Gao disse que as autoridades estão a trabalhar no pressuposto de que o surto resultou da exposição humana a animais selvagens que eram comercializados ilegalmente no mercado de alimentos em Wuhan, de onde se suspeita que o vírus é originário, e alertou que o vírus está a sofrer mutações.

Não se sabe o quão contagioso é o vírus, mas a transmissão de pessoa para pessoa pode permitir que se espalhe rapidamente.

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. Segundo o ministério chinês dos Transportes, a China deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Inforpress/Lusa/Fim

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