Autarca de Santa Catarina reitera “velho sonho” de construir “Museu da Resistência Amílcar Cabral”

Assomada, 20 Jan (Inforpress) – A presidente da câmara de Santa Catarina reiterou hoje a intenção do município adquirir a casa onde Amílcar Cabral viveu durante parte da infância, em Achada Falcão, para aí instalar o “Museu da Resistência Amílcar Cabral”.

Jassira Monteiro manifestou esta intenção quando discursava no acto central das comemorações do 50º aniversário do assassinato de Amílcar Cabral e Dia dos Heróis Nacionais, que teve como palco a Praça Central de Assomada, Santa Catarina, no interior de Santiago.

“Na altura em que assinalamos a sua morte trágica e os 100 anos do seu nascimento está na hora de resgatarmos Amílcar Cabral e colocá-lo no lugar, onde ele merece na nossa história colectiva. Pela nossa parte, enquanto câmara estamos e continuaremos a cumprir com a nossa parte. Preservar a memória de Amílcar Cabral exige o empenho e o engajamento de todas e de todos”, defendeu.

Aproveitando a presença do Presidente da República, José Maria Neves, que presidiu ao acto, o presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), Pedro Pires, e a ministra da Justiça, Joana Rosa, em representação do Governo, a autarca santa-catarinense apelou à capacidade de influenciação dos mesmos para ajudar o município a realizar um “velho sonho” de adquirir a casa onde viveu o pai das nacionalidades cabo-verdiana e guineense.

O projecto, conforme explicou, visa adquirir a casa onde viveu Amílcar Cabral na sua infância para aí instalar o “Museu da Resistência Amílcar Cabral” – espaço de estudo, investigação e memória viva das lutas contra a escravatura, das revoltas, das lutas contra o colonial-fascismo e pela independência nacional.

“Temos o desenho do projecto e temos os contactos com meios académicos para que o espaço não seja um mero depositário de memórias, antes um acervo vivo de museologia e investigação histórica”, lembrou Jassira Monteiro

No entanto, admitiu que o “problema maior” tem sido o problema financeiro, tendo em conta que a câmara não dispõe de recursos suficientes para concluir o negocio da referida casa.

Por sua vez, o presidente da FAC saudou a autarca de Santa Catarina pelos projectos de memória que o município tem em agenda, referindo-se à casa onde viveu Amílcar Cabral durante parte da infância, em Achada Falcão, interior de Santiago, cuja intenção é instalar o “Museu de Resistência Amílcar Cabral”.

A referida casa foi transformada em Núcleo Museológico a 20 de Janeiro de 2015, no âmbito do projecto Rede Nacional de Museus.

Num discurso, onde emocionou-se ao lembrar da luta pela independência da Guiné Bissau e Cabo Verde, dos momentos com Cabral, com os demais camaradas e da “tragédia” do assassinato de Cabral, na Guiné Conacri, Pedro Pires prestou uma homenagem a todos os combatentes da liberdade da pátria, que na altura não se deixaram abater por aquela “traição ignóbil”.

“Amílcar Cabral é de todos nós, é nosso. E todos nós temos uma dívida de reconhecimento e de gratidão com ele. Até sempre camarada Cabral”, concluiu, emocionado.

Na mesma linha, o chefe de Estado rendeu “uma justa, singela e merecida” homenagem à geração de Cabral, referindo-se aos que com ele lutaram, que vieram da luta da libertação, das universidades, das prisões coloniais e se engajaram de “corpo e alma” para materializar o sonho de Cabral, assumir as rédeas da governação e ocupando outros cargos de direcção no País recém-independente.

“Actualmente, mesmo podendo não encontrar todas as respostas em Cabral, os tempos são outros, ele continua a ser a grande fonte de Inspiração. Sonhar e projectar Cabo Verde para 50 anos será uma forma de homenageá-lo”, observou José Maria Neves.

É que, segundo ele, “hoje mais do que nunca é preciso ter a generosidade de Cabral, ter comprometimento com o País, uma ética republicana e uma ética na governação.

Amílcar Cabral é considerado um dos líderes africanos mais carismáticos, influentes e figura de destaque no continente africano.

Fundador do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), morreu depois de uma luta armada iniciada em 1962 contra o colonialismo português.

A 20 de Janeiro de 1973, Amílcar Cabral foi assassinado, em Conacri, numa altura em que travava uma luta armada contra o exército português, e 61 anos depois, permanece como uma figura central da história de África, em especial a de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

FM/JMV
Inforpress/Fim

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